sexta-feira, 1 de junho de 2012

Quinto aniversario de la Declaración de la ONU sobre los derechos de los pueblos indígenas


17 de mayo, 2012 - El presidente de la Asamblea General de la ONU, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, destacó hoy los avances alcanzados desde la adopción de la Declaración de la ONU sobre los derechos de los pueblos indígenas en 2007. En un acto celebrado en Nueva York para conmemorar el quinto aniversario de la Declaración, Al-Nasser indicó que los gobiernos y las comunidades originarias deben preparar conjuntamente la Conferencia Mundial sobre los Pueblos Indígenas que se celebrará en 2014.
“La Conferencia Mundial será una oportunidad para compartir visiones y mejores prácticas en el reconocimiento de los derechos de esos pueblos, con la Declaración de la ONU sobre esas garantías como marco para los debates”, aseveró.
Al-Nasser subrayó la necesidad de seguir avanzando para lograr una mayor participación de esos pueblos en la toma de decisiones que les afectan.




Hoúnewo Terena: Grande assembleia do povo Terena


Assim como os Guarani kaiowá, os Terena também realizam a sua grande assembleia. O evento nomeado Hoúnewo inicia hoje 01 de Junho com termino em 03 de Junho, na aldeia Imbirusso município de Aquidauana.


Segue a programação:

Saúde indígena: sem pressão não há solução

Foi necessário ocupar prédios públicos e bloquear estradas para que o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recebesse uma comissão de indígenas e assumisse algum compromisso para melhorar a assistência a esses povos. Os protestos aconteceram no dia 29/05 em Brasília, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e somente após essa demonstração da indignação o Ministro garantiu aos representantes dos povos Kaingang, Guarani Mbyá e Charrua que até amanhã, 31/05, apresentará um plano de ação com base nas principais reivindicações dos indígenas na presença da Vice-Procuradora da República, Deborah Duprat.

Pode parecer clichê daqueles bem ultrapassados, mas os órgãos governamentais só funcionam sob pressão. A revolta dos indígenas da região é inquestionável e nos remete a olhar para a situação de saúde que os povos do Amazonas estão vivendo.

Na região do Vale do Javari são mais de 300 indígenas mortos nos últimos anos em última análise mais por falta de assistência do que pela falta de recursos. O Ministério Público em Tabatinga já não consegue reagir ás demandas. São tantas as reclamações e a falta de ação que os indígenas já não tem a quem recorrer. A realidade de abandono, de descaso e de ameaça de extinção está sendo levado ao conhecimento de organismos internacionais, como a Anistia Internacional, para que venha de fora o apoio de que os povos daquela região precisam para alimentar a esperança de que o Poder Público em algum momento vá adotar alguma providência plausível.

Os indígenas com freqüência denunciam a falta de instalações apropriadas nas aldeias, ausência ou insuficiência de profissionais e a precariedade de atendimento prestada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena – Sesai. Esta, a propósito, tem realizado algumas ações, porém muito aquém das necessidades. No Vale do Javari as distâncias e as dificuldades de acesso tornam penoso o trabalho de assistência às comunidades. No entanto, só é penoso porque o Poder Público não atua de forma eficiente e eficaz, não cria as condições estruturais necessárias para dar agilidade ao atendimento.

Até agora os indígenas do Vale do Javari aguardam a presença do presidente da Sesai, Antônio Alves. Em março, quando esteve reunido com lideranças da região em Brasília, Alves prometeu ir ao Vale do Javari para dar alguma solução às reclamações dos indígenas. E não foi a primeira vez que ele prometeu e não cumpriu.

Nas regiões do Purus e Juruá, os Deni se vêem às voltas com a tuberculose. Nos anos 80 esse povo sofreu com muitos casos de tuberculose e no início dos anos 90 foi afetado por surtos de malária e outras doenças que levaram a morte cerca de 20% do povo.

Ao contrário das aldeias na região Sul, onde o acesso em grande parte se faz por estradas, na Amazônia e, mais particularmente, no Amazonas, os caminhos são rios, igarapés, furos – sem contar que em determinadas localidades o acesso só se torna possível por via aérea.

Então, se as lideranças indígenas do Sul só conseguiram sensibilizar o Ministro da Saúde com veemente protesto, se não bastaram os incontáveis documentos e processos, se não tiveram força as denúncias ao Ministério Público, a dica para que os povos do Amazonas - especialmente do Vale do Javari -, sejam ouvidos e atendidos vem de um cacique Sateré Mawé para quem o governo tem de ser tratado como feijão duro: “é preciso botar pressão”. A dica serve também para o Ministério Público em Tabatinga, de quem os indígenas esperam mais agilidade e resultados concretos. 

Fonte: CIMI



Vacinação contra gripe terminam hoje nas aldeias de Dourados

A Secretaria de Saúde de Dourados informa à população que o Ministério da Saúde prorrogou por mais uma semana a vacinação contra a gripe. A campanha que terminaria na sexta-feira passada continua até hoje, dia 1º de junho. A vacina é destinada a adultos acima de 60 anos; crianças menores de dois anos, profissionais da saúde, indígenas e gestantes.
Então parentes indígenas, quem ainda não foi vacinado procure a unidade de saúde mais próximo, e previna-se.

Fonte: Douradosnews

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Faculdade de Estudos Indígenas



O Reitor da Universidade Federal da Grande Dourados(UFGD) O reitor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Damião Duque de Farias, realizou a instalação da Faculdade de Estudos Indígenas e a posse do diretor pro tempore, Antonio Dari Ramos, na tarde da última segunda-feira (28), no cineauditório da Unidade 1.
A solenidade também foi de posse do diretor e da vice-diretora da FACE (Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia), Prof. Dr. Alexandre Bandeira Monteiro e Profa. Dra. Madalena Maria Schlindwein.Sobre a instalação da Faculdade de Estudos Indígenas, o reitor ressaltou esse passo como importante para o fortalecimento do compromisso que a universidade tem desde sua criação com a comunidade indígena, especialmente com os Guarani e Kaiowá da região de Dourados, e deixou clara a intenção de que com a Faculdade, a UFGD possa abranger outras comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul e do Brasil.
 “A UFGD nasceu para ter esse compromisso e ser reconhecida como instituição que busca a promoção do desenvolvimento da região de Dourados, com políticas públicas bem direcionadas para a cidadania e justiça social da população. Nesse sentido o foco na comunidade indígena de Mato Grosso do Sul”, defendeu Damião Duque de Farias.
O primeiro desafio assumido pela UFGD foi a criação logo no início da universidade, em 2006, do curso de Licenciatura Intercultural - Teko Arandu. A expectativa do reitor é implantar até o fim do seu mandato, outros dois cursos com foco nesse público, provavelmente nas áreas de saúde e de produção e meio ambiente, que deverão estar localizados na Faculdade de Estudos Indígenas. “As demandas são a sociedade e a comunidade que apresentam a Universidade.
Os desafios e dificuldades para respondê-las sempre teremos. O que precisamos é de vontade e apoio político dos parceiros para superá-los”, afirmou o reitor.O diretor pro tempore empossado, Antonio Dari Ramos, também falou da ligação histórica da criação da UFGD com os movimentos sociais, especialmente da implantação do curso Teko Arandu como resposta ao sonho dos indígenas, indigenistas e das instituições. Por isso, defendeu a instalação da Faculdade de Estudos Indígenas como um ato que aprofunda o compromisso da UFGD e dá lugar de destaque a formação acadêmica dos indígenas.
Com a Faculdade, o objetivo é dar continuidade ao curso de Graduação da Licenciatura Intercultural – Teko Arandu, criar cursos específicos para os indígenas de diversos grupos étnicos, mas também para outros públicos, promovendo a interculturalidade. Membro do Conselho Nacional de Políticas Indigenistas e aluno do Teko Arandu, Anastácio Peralta, lembrou da mobilização para criação da Licenciatura Intercultural – Teko Arandu, por parte de diversas organizações, como o Movimento de Professores Guarani Kaiowá e também de pessoas que faleceram, como o professor Renato Gomes Nogueira.Para Anastácio Peralta, com a Faculdade de estudos Indígenas não é só o índio que ganha, mas o Brasil, que ganha em soberania e inteligência quando abre a universidade para quem sempre viveu nessa terra.
“A Universidade tem que ser para todos, para pobres, índios e negros. Isso poderá colaborar para sairmos desse cenário de suicídio, violência e desnutrição e mostrarmos outras coisas que temos, nossa sabedoria, o que o meu povo tem para ensinar, porque nós estamos aqui há 40 mil anos, os não-índios há 512 anos. Somos importantes inclusive para a continuidade do planeta. Criam tantas tecnologias que acabam em desmatamento e intoxicação das águas. Cadê a sabedoria?”, questionou Anastácio.A solenidade de posse foi aberta com a apresentação de uma dança ritual ainda presente nas famílias indígenas do Panambi e chamada de guaxire.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

ASURINI DO XIGU MODO DE VIVER DA VIDA.


A etnia Surini do Xigu,a cultura deles e bem diferente de outro tribo, eles trabalha de artesanato, de decoração cerâmica, pintura de corporais, etc.
O Surini do Xigu, são maior povos guerreira, é trabalha todo junto e se ajuda a fazer uma casa para eles  mora nenhuma casa bem grande, porei disso ainda mais ele tem uma regras nas casa deles. O importante para ele é sua cultura de dança, todas noite tem cerimonia de dança. As meninas  mais nova são  cantadora  de rituais fica  perto do paje. E as outras meninas mais adultos são pronta para casar, é também tem  as regras mas podem casar, mais não podem ter filhos só depois de vinte cinco anos ponderar   ter filhos, isso faz parte da regras da cultura do povos mesmo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

I Aty Guassu da Juventude Guarani kaiowá


Do dia 24 a 26 de Maio ocoreu na aldeia Pirajuí em Paranhos o I Aty Guassu da juventude Kaiowá Guarani, os temas foram relacionados ao histórico do processo de luta das terras indígenas e sua conjuntura atual, identidade, etnicidade e juventude indígena, direito e cidadania indígena, sustentabilidade e autonomia.
Nós jovens da AJI, participamos deste evento que foi o primeiro, e realizdo com muita dificuldade disse uma das organizadoras, apresentamos o trabalho da AJI - Açaõ dos Jovens Indígenas, afim de senbilizar os jovens para também buscarem em suas aldeias uma forma de trabalhar com eles.
Percebemos que as realidades estão muito parecidas: drogas, violencias entre outros, além da falta de espaço dentro e fora de suas comunidades, a falta de dialogo entre a juventude e as lideranças, foi notório. Nada se tem feito para os jovens, não há politica publica que contemple essa classe, pensa-se em mulheres, crianças, e os jovens?
Esperamos que este evento tenha trazido ao menos visibilidade aos jovens Guarani kaiowá, até porque o Procurador da Republica Dr. Marcos Antonio esteve presente nos dias e, pode notar de perto a situação que se encontra os povos indígenas.








Projeto "Educação, escola e justiça" em escola na aldeia de Dourados


No dia 28 de Maio aconteceu na aldeia Jaguapiru na escola Tengatui Marangatu o inicio do projeto “Educação, escola e justiça”, uma parceria entre a prefeitura da cidade de Dourados e o Tribunal Regional do Trabalho e da 24° Região. Esse projeto pretende trabalhar a cidadania como o direito e deveres do futuro trabalhador indígena. Ainda na ocasião onde alunos da escola participava foi distribuído cartilhas nas línguas Terena, Guarani e Português referente aos direitos trabalhistas.

Estão abertas as inscrições para Licenciatura indígena


Estão abertas as inscrições pra a o curso de licenciatura indígena pela UFGD(Universidade Federal da Grande Dourados), as inscrições vai até o dia 15 de junho, podem se escrever alunos das etnias Kaiowá e Guarani, residentes no Território Etnoeducacional do Cone Sul, o tempo minimo do curso é de quatro anos. Mais informações: via Internet, na página do Vestibular (www.ufgd.edu.br/vestibular/pslin2012 )
A partir do dia 21 de maio a 15 de junho de 2012; nos seguintes órgãos: na Unidade Executiva Regional da FUNAI em Amambai; nas Coordenadorias da FUNAI de Ponta Porã e Dourados; na Secretaria do Curso de Graduação em Licenciatura Intercultural - Teko Arandu, na Unidade II da UFGD, no Bloco C, sala 8, de segunda a sexta-feira, úteis, das 13h às 17h; e ainda na Coordenadoria do Centro de Seleção, localizada na rua João Rosa Góes, 1919, de segunda a sexta-feira, úteis, das 8h às 11h e das 13h às 17h.
Mais informações no edital: http://www.ufgd.edu.br/vestibular/pslin2012

Sem acordo! Indígenas prometem “guerra” contra Policias Federais

“Não queremos violência, mas se um de nós for agredido ou até mesmo desrespeitado haverá sim, um conflito”, avisou disse Huni Kui.


O Secretário de Justiça e Direitos Humanos no Acre (Sejudh) Nilson Mourão terminou uma longa conversa com aproximadamente 300 indígenas que ocupam a sede da FUNAI, em Rio Branco, na manhã desta segunda-feira (28).
Na última semana, a Justiça Federal determinou a retirada dos manifestantes que permanecem acampados a quase um mês em protesto contra as precariedades e a falta de assistência médica. 
A decisão judicial será cumprida nesta terça-feira, 29, por agentes da Polícia Federal. Nilson Mourão tentou intermediar a saída pacífica dos indígenas , mas eles prometem entrar em conflito caso os agentes usem da  força ou de armamento.
“Se eles usarem da força nós vamos usar nossas armas. Não queremos violência, mas se um de nós for agredido ou até mesmo desrespeitado haverá sim, um conflito”, avisou disse Huni Kui.
Em entrevista ao Complexo O Rio Branco, Nilson Mourão declarou que é contra a retirada a força dos indígenas. Ele ressaltou ainda que estará mobilizando todos os poderes competentes para que seja encontrada uma solução para as reivindicações apresentadas pelas lideranças indígenas.
A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB) também participou da extensa conversa e ficou acertado que será realizada uma rodada de debate entre autoridades acreanas e do Governo Federal e entidades que representam os indígenas. A data do debate deverá ser anunciada até esta terça-feira (29).

segunda-feira, 28 de maio de 2012

índios entram em confronto com a PM

Índios da aldeia Pequi da Terra, na Reserva Areões, em Água Boa, entraram em confronto com policiais militares, após resistirem a entregar uma  caminhonete da Secretaria de Saúde Indígena, tomada em protesto no último dia 19 de abril. Os índios protestam contra a falta de investimentos na saúde. Segundo eles, a  Secretaria de Saúde Indígena só tem investido em caixões, para enterrar os índios, que morrem devido a falta de atendimento básico a saúde. O vereador indígena de Nova Nazaré, Aray Maraiho, que estava conduzindo a caminhonete da secretaria, foi preso – motivo que aumentou a tensão entre policiais e índios.
 
A confusão começou quando os índios resolveram ficar com a L200 da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai).  Segundo o motorista, ele levava uma enfermeira para fazer atendimento na aldeia quando foi abordado por um grupo de índios liderado pelo vereador Ary Maraiho,  de Nova Nazaré. O motorista procurou a Delegacia de Polícia Civil e fez o boletim de ocorrência. No sábado, os policiais encontraram o veículo dentro da cidade de Água Boa quando abasteciam em um posto de combustíveis.
 
Segundo o Cte. do 16º Batalhão da Polícia Militar, tenente coronel  Jorge Luiz de Magalhães, os policiais abordaram o veículo e exigiu que fosse entregue; houve resistência e foi necessário de reforço policial da PM e da Polícia Civil.
 
 “A guarnição da PM informou aos índios que deveriam serem encaminhados ao CISC para a confecção do Boletim de Ocorrência para as providências da autoridade policial. No primeiro momento houve resistência por parte dos indígenas e tivemos que deslocar até o local, dialogamos bastante e cumprimos a determinação trazendo o veículo para o CISC. O boletim de ocorrência foi confeccionado e será encaminhado para a Polícia Civil onde provavelmente vai ser lavrado o competente auto de prisão em flagrante” – disse o militar. 
 
O delegado regional Antonio Moura Filho indiciou o vereador  Ary Maraiho em flagrante pelo crime de receptação. Ele foi ouvido na presença de uma defensora pública e foi arbitrado fiança, mas foi liberado com a intervenção do Poder Judiciário. 
 
O clima ficou tenso, porque uma certa quantidade de indígenas estava na porta do CISC aguardando o desfecho do caso. A chave da caminhonete L200 que ainda estava em poder do indiciado foi entregue.
 
Segundo o cacique Carlos da aldeia Campo Alegre o veículo foi pego em forma de protesto porque não tem atendimento quanto às questões de água e que os funcionários indígenas não estão recebendo os salários, a maioria por quase um ano. “Estamos cansados de promessas. O pessoal está passando fome por que não recebe, já deve em todo o comercio. Já foram emBarra do garças e marcaram até o dia que o dinheiro estava na conta e ainda perderam viagem atá a cidade  e nada. estão fazendo os indios de trouxas” – protestou. 
 
Já por volta das 20h00 por determinação judicial o vereador Arí Marhaio foi liberado e resolveu entregar as chaves da caminhonete L200 e o grupo de índios voltaram para suas aldeias.  Eles disseram, no entanto, que vão fazer reuniões nas 16 aldeias de Areões para definirem as próximas ações e que poderão ser de trancar rodovias.
 
No momento da abordagem policial os indígenas estavam a caminho da Aldeia Tritopá na região de Nova Nazaré onde pretendiam participar de uma reunião de lideranças sobre a passagem da ferrovia próximo a área indígena e  demais reinvidicações sobre a melhoria no atendimento a saúde, poços artesianos nas aldeias,  pagamento dos salários atrasados dos que são funcionários da SESAI.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Situação de índios no Mato Grosso do Sul é vergonhosa

O informe de 2012 da Anistia Internacional sobre direitos humanos destacou preocupação em relação às comunidades indígenas submetidas a discriminação, ameaças e violências envolvendo disputa de terras no Brasil. A situação mais grave, de acordo com a ONG, não está na Amazônia, onde projetos de infraestrutura como a usina hidrelétrica de Belo Monte já afeta a vida da população local, mas sim no Mato Grosso do Sul. Na região, a lentidão no processo de demarcação de terras indígenas expõe as comunidades a um “alto risco de violações dos direitos humanos”.
Levantamento do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) mostra que cerca de 1.200 famílias estão hoje acampadas à beira de rodovias à espera da restituição de suas terras na região. A situação levou a uma série de episódios violentos patrocinado por grupos armados durante todo o ano de 2011, lembrou a Anistia Internacional.
A Anistia Internacional lembrou que, em setembro último, homens armados usaram caminhões, fizeram disparos com balas de borracha, incendiaram barracos e espancaram os moradores de Pyelito Kue. “Diversas pessoas, inclusive crianças e idosos, ficaram gravemente feridas no ataque, que foi descrito pelo Ministério Público Federal como configurando genocídio e formação de milícias rurais.”
Em novembro, 40 pistoleiros, muitos deles encapuzados, atacaram o acampamento de Guaiviry, próximo à fronteira com o Paraguai. Eles atiraram no cacique Nísio Gomes e levaram seu corpo em uma caminhonete. O destino do líder indígena ainda era desconhecido.
O relatório destaca ainda a condenação por formação de quadrilha, tortura e sequestro de três homens acusados de matar o líder Guarani-Kaiowá Marcos Veron, espancado até a morte em 2003.
A ONG lembra também que grupos de homens armados vêm ameaçando e atacando repetidamente uma comunidade de 125 famílias Guarani-Kaiowá em Pyelito Kue depois que os índios reocuparam suas terras tradicionais no município de Iguatemi (MS).
Essa situação é uma vergonha para todos nós”, define o diretor-executivo da Anistia Internacional no Brasil, Atila Roque.
Embora mais grave, a situação em Mato Grosso do Sul não tem sensibilizado a opinião pública da mesma forma como a dos indígenas afetados por obras de infraestrutura na Amazônia. “Eles vivem numa fronteira já muito deteriorada do ponto de vista da preservação do próprio território, uma área de muita disputa. É como se houvesse um silêncio em torno deles”, afirma Roque.
Outro agravante é a proximidade com a fronteira agrícola e o baixo controle do poder público sobre esses interesses privados (representados em diversas instâncias do poder, enquanto a população indígena segue subrepresentada politicamente).
O Brasil possui um sistema político que gera um padrão de representação deficitária, que não garante a presença de diferentes populações. Isso vale uma discussão mais ampla sobre como política se financia e também o sistema de votos. Mas é um debate que o Brasil tem dificuldade de fazer porque o status quo se beneficia desse modelo.”
Outra dificuldade, segundo Tim Cahill, pesquisador de Brasil da Anistia Internacional, é a baixa participação desses povos na definição das politicas voltadas a eles e também a falta de acesso ao sistema de Justiça aos indígenas. Para Cahill, a situação do Mato Grosso do Sul não é difícil de resolver, pois as áreas indígenas são pequenas em relação a outros, como a Raposa Serra do Sol. “É uma população pequena e ameaçada pela violência e pela pobreza devido ao impacto da indústria da cana-de-açúcar, que os tira da terra e ainda os empurra a trabalhar nas plantações em condições degradantes. Isso poderia ser resolvido se houvesse vontade do governo em negociar com os latifundiários do estado e comprar essas terras para os indígenas. O governo diz que está fazendo isso e tentando arranjar uma solução.”
Apesar da situação no Mato Grosso do Sul, a Anistia Internacional considera que o Brasil possui hoje um arcabouço jurídico avançado em relação à preservação dos direitos indígenas. O problema, diz Cahill, é a implementação destas leis.
Há um processo novo de expansão econômica que não está somente ameaçando o direito das populações, mas está levando a rever essa legislação [de defesa dos índios e demarcação de terras] com processos no Congresso”, afirma.
Além da situação na fronteira, a Anistia Internacional emitiu no documento uma série de alertas sobre o impacto de megaempreendimentos na vida de populações vulneráveis. A ONG lembrou que em outubro do ano passado a presidenta Dilma Rousseff expediu um decreto “para facilitar o licenciamento ambiental de grandes empreendimentos econômicos” que afetam as terras de comunidades indígenas ou quilombolas.
O Brasil precisa reconhecer os direitos destes povos e garantir que sua expansão econômica não seja feita à custa da vida deles”, diz Cahill.
Sobre Belo Monte, o relatório destaca a recusa do Brasil a acatar medidas cautelares sobre o projeto determinadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos para proteger a saúde e a integridade da população local. “O Brasil, que tem uma tradição no apoio e valorização dos espaços multilaterais, reagiu mal”, lamenta Atila Roque.
A Anistia demostrou preocupação também com a situação de ativistas rurais e lembrou a morte do casal ambientalista José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, assassinados a tiros há exato um ano por pistoleiros no município de Ipixuna, no Pará. Eles denunciavam as atividades ilegais de madeireiros, fazendeiros e produtores de carvão da região. Apesar da prisão de um mandante e dois supostos executores, as ameaças contra os familiares das vítimas permanecem na região.
A ONG destaca ainda a atuação de grupos de extermínio e milícias que no ano passado mataram a juíza Patrícia Acioli com 21 tiros em frente de sua casa em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, e casos de tortura e maus-tratos nas superlotadas penitenciárias brasileiras, que hoje abrigam 500 mil internos – dos quais 44% ainda esperavam julgamento.
Há um destaque para o risco de remoções forçadas de moradores nas grandes cidades para dar espaço às obras da Copa do Mundo de 2014.